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CRÍTICASOs Cariocas "São integrantes do conjunto vocal Os Cariocas": · Ismael de Araújo T. Netto, arranjandor, · Waldir Prado Viviani, solista, · Severino de Araújo T. Filho, · Emmanoel B. Furtado (Badéco), · Jorge Quartarone. O Conjunto apresentou-se, pela primeira vez no programa "Papel Carbono"de Renato Murce, então na Rádio Club do Brasil, sagrando-se vencedor. Em 1945, submeteu-se a um teste na Rádio Nacional, onde saiu plenamente aprovado, tendo sido contratado por aquela emissora, onde permanece até hoje constituindo parte de suas principais programações. A principal característica do conjunto é o seu moderno sistema de distribuição de vozes, que é inédito em conjuntos brasileiros e constitui sua grande personalidade. México e Brasil em grandes festas, pela Rádio Bandeirantes Radar - São Paulo, 6 à 12 de janeiro de 1950 Texto de Egás Muniz / Fotos de J. Agostinelli Foi linda, aquela audição que juntou as despedidas da "estrela" azteca Chelo Flores e a estréia do cartaz nacional "Os Cariocas" - E a PRH-9 continua cheia de sensações artísticas, com esse quinteto vocal - a maravilha feita por brasileiros. ·Está mais do que visto que Rebelo Jr. Está disposto à tudo prá manter em nítida escala ascendente a sua fase à testa da PRH-9, Rádio Bandeirantes. E os "cartazes", daqui ou de fora, sempre foram um dos ponto-básicos de atração para uma emissora eminentemente popular. Vai daí, Manuel bitencourt Rebelo Júnior estar sempre alerta, contratando "cartazes" de vanguarda nacional ou internacional e provocando, para a Rádio Bandeirantes, esses frenesis de auditório que dão à PRH-9 um gostoso lugar de vanguarda no cenário nacional. QUE CARTAZES! CHELO FLORES IA E "OS CARIOCAS" CHEGAVAM Foi no Domingo passado.De noite: 21 horas. Anunciava-se uma grande audição na Rádio bandeirantes. Sob o mesmo patrocínio do Conhaque Palhinha, a PRH-9 teria duas audições entrelaçadas, uma hora inteirinha de cartazes: a despedida da "estrela" mexicana Chelo Flores e a estréia do notável conjunto vocal brasileiro "Os Cariocas". E foi assim, foi por isso que Domingo passado, das 21 às 22 horas, os 840 quilociclos da Rádio Bandeirantes estiveram justamente engalanados, com uma adorável sequência de interpretações musicais do melhor quilate. E, à parte o lado artístico aquela festa na PRH-9 foi uma estupenda confraternização entre duas pátrias: México e Brasil - através de representações de marcante evidências: Chelo Flores - que concluia uma das mais bonitas temporadas internacionais de 1949, em São Paulo - e "Os Cariocas", que chegavam a São Paulo, após anos e anos de intensissima expectativa em torno da sua presença sobremaneira reclamada, por causa do retumbante sucesso suas atuações no rádio carioca. CHELO FLORES DESPEDIU-SE COM SAUDADES O "carnet" de atrações internacionais da Rádio Bandeirantes, no ano passado, teve uma autêntica chave de ouro, com Chelo Flores. A "morochita", que já estivera no Brasil há muitos anos, constitui um dos nomes maiores da música tropical da atualidade. Seus compromissos, nas 3 partes do continente americano, levavam-na, ora para os Estados Unidos ora para os países da costa do Pacífico. E o Brasil ia ficando fora da faixa... Porem, um dia, tinha que ser o Brasil, outra vez. RADAR contou essa história, lembra-se? E, então, depois de 12 audições que foram: 12 espetáculos de pleno agrado artístico e popular, Chelo Flores despediu-se do público brasileiro, através da Rádio Bandeirantes... Naquela noite, Chelo Flores cantou com tudo que tinha em sua alma e em seu coração. E não escondeu, nas despedidas, as imensas saudades, que já tinha, deste país imenso e hospitaleiro, da boa gente de S. Paulo, dos colegas que fez na PRH-9. E todo mundo começou a sentir saudades de Chelo Flores. Mas todos também guardamos a sua promessa de daqui por diante, não demorar muito em voltar. E tomara Deus que isso aconteça bem depressa, em 1950. "OS CARIOCAS" - UM ASSUNTO À PARTE NO RÁDIO BRASILEIRO Os rapazes estão aí, meninas! Estão na Rádio Bandeirantes! Mas, além de ouví-los, de admirá-los e de quere-los, respeitem-lhes a classe artística. "Os Cariocas" formam, à primeira vista, nada mais do que um quinteto vocal. Porem, que quinteto! "Os Cariocas" conseguiram, como brasileiros que atuam na própria terra, um plantel de características tão harmoniosas, para seus arranjos, que mereceram guindar, mais do que rapidamente, aos pináculos das glórias art;isticas. Se vocês, que ouvem " Os Cariocas" em casa, ou os aplaudem no auditório da Rádio bandeirantes pudessem ver, bem de perto , o cuidado com que os rapazes ensaiam e mais ensaiam, estudam e preparam-se para as audições, compreenderiam melhor, o "porque" do sucesso diferente de mais um conjunto vocal brasileiro. "Os Cariocas", quando viram que, na América do Norte, os "vocais" eram coqueluche, trataram de aprimorar-se. E compreenderam que a Arte não se faz com boa vontade, prá agradar às meninas... Então, tiveram que estudar música. E foi assim que "Os Cariocas", tendo pela prôa uma pleiade de mestres da maior responsabilidade artística, foram surgindo, foram mostrando que, com classe, tudo sai perfeito. E, AGORA, "OS CARIOCAS" ESTÃO AÍ, NA RÁDIO BANDEIRANTES Já há 2 ou 3 anos que os paulistas 9ou as paulistas hein?) esperavam uma temporada com "Os Cariocas". Acontecia sempre uma coisinha prá atrapalhar à excursão. Porém Rebelo Júnior mexeu os pauzinhos com Victor Costa, lá na Rádio Nacional, e a PRH-9, pôde privar-se, por algum tempo do concurso mais do que esplêndido de "Os Cariocas", permitindo-lhes esse prêmio, uma temporada na Rádio Bandeirantes. O Fato OUH - Rio - Sexta-feira 7 de junho de 1985 Organizado em 42 pelos irmãos Ismael Netto e Severino Filho, "Os Cariocas", até 61, formavam um quinteto. A primeira formação - além dos manos - contava com Tarquínio, Ari e Salvador. A derradeira - no Beco das Garrafas - era formada por Severino, Badéco, Quartera e Luiz Roberto: 1970. O melhor vocal do Brasil. Uma memória em monoaural UH - Rio - Terça-feira 7 de maio de 1985 Ronaldo Bôscoli A cada dia os estados unidos nos dão sadios exemplos do quanto amam seu patrimônio. Consegui ouvir - entre outras maravilhas - o eterno Moonlights Serenade sob o arranjo original, porem filtrado e equalizado através de técnicas atuais. Claro que se trata de regravações. Só assim os jovens de hoje poderão Ter a referência exata do que eram capazes orquestras como as de Glenn Miller, tommy Dorsey, Harry James etc...etc... Neste sentido, o que é feito pelo que de importante por nós foi registrado há anos tantos anos? Não consigo passar para meu filho - João Mecello - como era esplêndido a bossa nova, aprisionada que está entre alguns poucos canais de som. Por que não regravar as grandes obras brasileiras em condições atuais? Entre tantos injustiçados, destaque para o maior conjunto vocal surgido no Brasil: "Os Cariocas". Escondido num caixão de anjinho. Quase que em trevas totais. O museu não é da Imagem e do Som? A república não é Nova? Locupletai-vos, pois. Eternamente, Os Cariocas Direitos Já Texto de Chico Moreira Era uma vez um poeta. Daqueles que com as ferramentas do presente sabem ver e alicerçar o futuro. Seu idioma: os sons, a harmonia, e a voz humana. Não digo as notas musicais, pois desconhecia sua técnica e escrita. Não obstante soube construir, nos poucos anos que viveu, uma das obras mais significativas da moderna música popular brasileira. Seu nome? Ismael Netto. Sua obra? Como se não bastasse um bom número de inspiradas composições com não menos inspirados letristas - Antônio Maria, Luís Bittencourt, Mário Faccini, entre outros - fundou e dirigiu a primeira fase do mais importante conjunto vocal da história da música popular brasileira. "Os Cariocas". Não é intenção destas poucas linhas historiar a trajetória do grupo - quem sabe um dia... - mas apenas à memória alguns aspectos que, acredito, possam ajudar a se compreender mais amplamente a contribuição dos grupos vocais brasileiros na evolução e aprimoramento da nossa música popular. É ainda oportuno lembrar que estamos assistindo a um ressurgimento do cantar em grupo. A presença do quarteto vocal Manhattan Transfer no Free Jazz de 1986 poderia ser interpretado como um marco inicial deste ressurgimento. Vários grupos corais, fortemente influenciados por aquele quarteto americano, já vinham adotando, mesmo antes daquele evento, uma linguagem cênica-musical mais livre e provocando com isso o torcer de narizes das platéias masi conservadoras. Mas irreverência e exagêros à parte, já é possível colher alguns frutos. Neste fim de ano , já se pode à curta memória enumerar pelomenos uns oito grupos, entre quartetos, quintetos e pequenos corais que estão a disputar com competência e profissionalismo os poucos espaços alternativos existentes no Rio de Janeiro. Isso fora os grupos mais antigos, que se desfizeram e estão sempre - tomara que o consigam - a tentar um retorno. Mas onde entra o nosso saudoso Ismael Netto nessa estória toda? Pois é:nunca é demais lembrar que Os Cariocas, no início de sua carreira, foram fortemente influenciados pelos importantes grupos vocais americanos - principalmente o Pied Pipers, da orquestra de Tommy Dorsey - o que era também habitual em outros grupos vocais brasileiros (o Bando da Lua de Aloysio de oliveira, um pouco "em cima" dos "Starlighters", e ainda mais para cá o Conjunto Farroupilha, O Quarteto e os próprios Cariocas durante a Bossa Nova traziam ecos do Hi-Lo's, dos Four Freshmen, dos Modernaires e do criador do cantar do jazz moderno com grupo vocal: Mel Tormé e os MelTones) . Os cariocas conduzidos pela musicalidade de Ismael e posteriormente pela inspiração e inteligIencia de seu irmão mais novo, Severino Filho, puderam desenvolver uma menira de cantar essencialmente brasileira utilizando, diríamos assim, alguns artifícios e técnicas americanas. Que se ouça o arranjo de "Adeus América", gravação de 1948: ali transborda brasilidade, não só pela forte seção rítmica utilizada, mas pelos maneios e nuances das vocalizações, e apesar dos acordes "jazzísticos"predomina o "jeitão" tipicamente carioca de ir dizendo a letra. Como se não bastasse o assunto: "...o samba mandou me chamar..." Porém foi com o advento da Bossa Nova que Os Cariocas entraram em sua fase mais madura. É como reconhece severino Filho na contracapa do primerio disco desta fase - A Bossa dos cariocas, de 1963 - : "Sentíamos que o grupo era musicalmente avançado para a época. Para vencermos teríamos que fazer as concessões que que nunca fizemos. Esperamos a aurora da bossa nova, e finalmente ela chegou, radiante. Ismael tinha razão..."Ismael havia morrido em 1956 e em 61 o conjunto passou a contar com a presença musicalíssima de Luiz Roberto. Até 1967 eles atuaram intensamente, participando dos eventos mais importantes da Bossa Nova, interpretando o repertório mais significativo da época. É nessacessário que se diga que dentre todos os conjuntos, não só vocais mas como também os intrumentais - e não eram poucos - foram Os Cariocas que conseguiram maior unidade entre interpretações e execução vocal instrumental. E isso levando-se em conta que eles tocavam e cantavam arranjos vocais muito complexos sem nenhum dos recursos de tecnologia atualmente nos fornece. Enquanto a Bossa Nova preparava a sua Segunda geração por intermédio dos festivais, lá fora a música vocal vivia um período de estagnação . A única novidade de digna de nota e veio por conta da arranjadora francesa Jeannine "Mimi" Perrin com seu "Les Double Six". A novidade de Mimi consistia noa arranjos transcritos de interpretações famosas das grandes orquestras de jazz. É um trabalho único no gIenero só retomado anos mais tarde pelo Manhattan Transfer. Para que se tenha idéia das dificuldades que esta proposta encerra, imagine-se uma música concebida para ser tocada por uma grande orquestra de jazz, com seus solos, inprovisos, combinações dos naipes, etc., tudo isso transcrito para ser executado apenas com um sexteto com as vozes duplicadas no estúdio, auxiliados por uma pequena se seção rítmica. E a moça conseguia fazer com que estas seis vozes duplicadas reproduzissem o arranjo original com uma fidelidade espantosa. Entre nós porém foi a época áurea dos conjuntos vocais. Os trios - piano, contrabaixo e bateria - quase todos cantavam. Muitos quartetos surgiram em função dos festivais. O caminho aberto pelos Cariocas frutificou, assim como toda música brasileira que estava a conhecer sua época mais fértil. De lá para cá, muitas coisas aconteceram. Novas formas de cantar, a música pop, o rock, a música folk americana novamente influenciam uma geração de músicos e arranjadores. O cantar em grupo passa mais uma vez por substancial transformação. Aqui no Brasil, a invasão desenfreada da música americana da concepção mais simples, aliada à pouca execução dos autores nacionais, foi aos poucos despreparando as gerações mais novas para o entendimento de trabalhos mais elaborados, ao mesmo tempo que também tornou mais difícil uma possível conceituação do que possa vir a ser a cultura brasileira. Não são poucos os jovens que hoje se vêem às voltas com este problema. É portanto de grande significação o legado de Ismael Netto. Ele, que soube retirar dos "Mmahattan"da época todo o necessário para montar a estrutura que idealizou para modernizar a música brasileira, jamis perdeu o "fio da meada", "jamais imitou por imitar, sempre se manteve atento não só ao que estava ocorrendo à sua volta. As composições que deixou são a maior prova de carinho e respeito pelas coisas de sua gente. Em 19 de outubro último Luiz Roberto faleceu em pleno palco do Jazzmania, quando Os Cariocas repetiam a vitoriosa temporada que marcou a volta do quarteto após 21 anos de ausência. Comentávamos no dia da estréia que , quando o grupo encerrou suas suas atividades em 67, representavam o que poderia chamar de vanguarda da MPB da época. Pois bem: a impressão que tivemos ao ouvir as antigas canções e alguns novos arranjos para músicas mais modernas é que continuávamos diante de uma obra de vanguarda. E perguntávamos: o que não estariam Os Cariocas fazendo agora se não tivessem parado todos esses anos? Talvez não muito diferente do que fizeram ali, pensei depois. Faz tanto tempo que se pisa firme no freio da música brasileira que não dá mais pra saber. Mas isso já é outra história. A Bossa Sempre Nova dos Cariocas Jornal do Brasil O Grupo que revolucionou a MPB na década de 50 se transforma num fenômeno de resistência cultural nos anos 90 "A mesma praça. O mesmo banco. As mesmas flores, o mesmo jardim". Os versos de conhecida marcha de Chico Buarque parecem aludir à mesmice musical das rádios que diariamente nos sufocam com uma ração pouco balanceada e altamente calórica. Seus principais ingredientes: pagode, axé e música sertaneja. O slogan Chega de saudade deveria ser hoje o brado de ouvintes que desejassem tornar presente, atual e permanente, a ousadia instaurada na música mundial pela Bossa Nova, que agora garante o ganha-pão de DJs europeus mais atentos. Na redundância musical radiofônica de cada dia, a imaginação quase abandona a MPB. Mas, se não existe -ou definha -, a música sempre tem de ser inventada. Invenção e experimentação garantiram, ao longo da história, a vitalidade da música como fenômeno artístico, para além das imposições do mercado. Os Cariocas, precursores da Bossa Nova, e que fazem uma única apresentação amanhã, às 21h30, no Mistura Fina, vêm esgarçando, desde 1946, os limites de nossa escuta, provando, de uma vez por todas, que o que é moderno, mesmo - para além de todas as bravatas juvenis - é ser eterno. . Foram eles que, com suas dissonâncias em meio aos acordes perfeitos de grupos vocais como Os Demônios da Garoa e Os Anjos do Inferno, desafinaram o coro dos contentes e pavimentaram a estrada que iria levar à Bossa Nova, em 1958. "Os grupos vocais na época cantavam bonitinho, certinho, mas faziam mais acordes perfeitos, usavam pouco as dissonâncias. Quando cantavam a melodia, a faziam na voz natural. Foi Ismael Netto, líder de Os Cariocas à época, quem começou a fazer a melodia uma oitava acima, como se fosse uma voz feminina, em falsete. Seus arranjos eram moderníssimos e as vozes em contraponto eram uma relativa novidade para a época", explica Severino Filho, irmão de Ismael e remanescente da formação original do grupo, juntamente com Jorge Quartera. Completam o grupo os caçulas Elói Vicente e Neil Teixeira. Ismael Netto ainda está por merecer uma biografia à altura de seu talento, como nos lembra Ruy Castro em Chega de saudade. Autodidata, sem formação musical, tinha 23 anos quando surpreendeu os grupos vocais concorrentes com as harmonizações de Adeus América. Sublime sacrilégio: o garoto Ismael torna-se lenda na Rádio Nacional ao ser visto "fazendo com a voz" para um cordato maestro Radamés Gnatalli, monstro sagrado, "as frases instrumentais com que a orquestra acompanharia Os Cariocas no programa Um milhão de melodias". Na era de verdades fabricadas pelo mercado e de bumbuns-pirilampos baianos a ofuscar a MPB, convém restabelecer o óbvio. Em 1947, Villa-Lobos, para muitos nosso mais genial compositor, recomendava a seus alunos que ouvissem Os Cariocas. Zoom rápido para 1999: diante de uma platéia de dois mil pagantes no Canecão, transformado em pista de dança no lançamento de Crooner, Milton Nascimento se ajoelha de emoção ao ouvir o grupo cantar Encontros e despedidas em homenagem a ele e "ao poeta Fernando Brant". "Os músicos da Rádio Nacional comentavam que Villa-Lobos afirmava que os cantores da emissora deviam cantar afinado e, para isso, deveriam sintonizar a Rádio Nacional e ouvir Os Cariocas" revela Severino. Em A bossa brasileira, CD mais recente do grupo, a invenção e ousadia, traços marcantes deste conjunto que é do Rio a mais fiel tradução, estão presentes em uma versão a capella de Descobridor dos sete mares. Evocação da jovialidade do grupo vocal Take 6, unanimidade entre Os Cariocas. Já em 1966, ano em que participaria da II Semana de Música de Vanguarda, promovida por Eleazar de Carvalho e Jocy de Oliveira, o maestro Julio Medaglia, peça central da Tropicália, faz questão de publicar uma "constatação-homenagem" no Suplemento Literário de O Estado de São Paulo: "Integrado por Severino Filho, Badeco, Quartera e Luís Roberto, entoa as mais intricadas harmonias, realiza as mais sutis articulações de fraseados e ritmo, com tal liberdade e homogeneidade que se julgaria tratar-se de um só cantor ou de um só instrumento. Mesmo nos mais rebuscados efeitos, o conjunto permanece uniforme, atacando, terminando e respirando claramente o texto, qualidades raras inclusive nos domínios da música clássica". O maestro Medaglia destaca também o pioneirismo de Os Cariocas que "antes mesmo do advento da Bossa Nova" já se lançavam "ao campo de uma música popular de caráter altamente experimental". No show Rio, gosto de você, no Mistura Fina, Os cariocas vão cantar e tocar clássicos agora eternos como Samba de uma nota só, Vivo sonhando, Corcovado e Samba de Verão. Em qualquer país da Europa, segundo o maestro Julio Medaglia, seria inconcebível afirmar que um grupo vocal dotado com tamanho talento não tivesse nenhuma educação musical formal. Coisas de um Brasil que deu certo. Vale conferir amanhã no Mistura Fina. Reservas: 537-2844. Mistura Fina 15 de setembro de 1999 O Mistura Fina, a única casa do Rio de Janeiro onde se pode ouvir regularmente a fina flor do jazz internacional e que sempre figura nas listas dos melhores bares do Rio de Janeiro completa 21 anos em março de 2000. Mas a festa já começou e vai virar o ano. Na casa, que será homenageada amanhã pelo grupo Os Cariocas, Adriana Calcanhoto e Edson Cordeiro foram lançados. Zelia Duncan, Cassia Eller e Renata Arruda fizeram ali suas primeiras apresentações fora de Brasília. Ron Carter, Michel Legrand e John Pizarelli, que estréia ali nesta sexta-feira, são habituês. A idéia do projeto-festejo Finas Misturas, que vai até dezembro, é prestigiar a nata da música brasileira. "Foi uma maneira de aquecer a música instrumental nas noites cariocas, que andavam meio caídas. Além disso, é um modo de homenagear aqueles que ajudaram a segurar a peteca do Mistura ao longo destes anos", explica Pedro Paulo Machado, sócio-proprietário do Mistura Fina. A maioridade não livrou o Mistura das dores do crescimento. Nos anos recentes, o Jazzmania e o Rio Jazz Club fecharam e o dólar disparou no meio da turnê de Ron Carter, dando um bom susto aos donos da casa. Agora, a casa retoma as atrações internacionais com parcerias com outras praças do País. O guitarrista Mike Stern, o trompetista Cláudio e o pianista Chucho Valdez são algumas das próximas atrações, além, é claro, de Lucho Gatica, campeão de bilheteria de todos os tempos do Mistura. 'Masters of Bossa Nova': The Intoxicating Dance of Love Saturday, July 13, 2002; Page C09 - Washington Post Mike Joyce An overflow crowd turned out to hear the "Masters of Bossa Nova" concert at the Inter-American Development Bank's Cultural Center on Thursday evening, and hardly anyone left until after the entire cast returned for encores. Renowned Brazilian singer-songwriter Marcos Valle opened the concert. Playing a nylon-string guitar, he brought a seasoned soulfulness to a diverse selection of original material, including "Summer Samba," one of his best-known tunes. The pulsating guitar arrangements, with their gently shifting major and minor modes, provided a soft cushion for his alluring balladry and some rhythmically nimble vocals. He sang in Portuguese and English, and occasionally created stirring harmonies with the help of vocalist Patricia Alvi. When Valle played piano, inspired by the dance beat of baiao, the northeast Brazilian folk rhythm, or the improvisational thrust of jazz, it was easy to imagine his band merrily amplifying his music at an outdoor concert. Os Cariocas, the legendary bossa nova ensemble, devoted its set primarily to the music of Antonio Carlos Jobim. Despite numerous personnel changes over the years, the quartet still excels at creating striking weaves of vocal harmony. A sophisticated a cappella arrangement of "Marina" best demonstrated the group's vocal skills and ingenuity. Yet even when the timeless melodies were played by pianist Severino Filho and guitarist Eloi Vicente, the group's distinctive vocal blend never failed to charm. Fitting, too, that the final encore would feature all of the artists performing Valle's "El Preciso Aprender a Ser So." After all, when Os Cariocas recorded the tune nearly 40 years ago, it helped launch Valle's career. SP recebe o Manhattan Transfer Manhattan Transfer Jotabê Medeiros O quarteto vocal nova-iorquino chega a São Paulo para três apresentações e promete misturar o jazz que lhes fez famosos às suas influências brasileiras, entre as quais Carmem Miranda e Os Cariocas. São Paulo - Um dos mais conhecidos e tradicionais conjuntos vocais americanos apresenta-se no Brasil, de segunda a quarta-feira. Trata-se do quarteto Manhattan Transfer, criado em Nova York em 1969 pelo cantor Tim Hauser. O grupo, nessa fase inicial, gravou um disco, Jukin´ (1971), mas separou-se logo depois. Passado um ano, Hauser o reformulou com as cantoras Laurel Masse e Janis Siegel e o vocalista Alan Paul. Hauser considera a data inicial do conjunto o ano de 1972, daí a celebração dos 30 anos de carreira. E eles estão comemorando em grande estilo, com o disco The Spirit of St. Louis (Warner/Atlantic), em homenagem à Louis Armstrong e seu repertório. Na turnê paulistana, o Manhattan Transfer cantará canções desse disco, como The Blues Are Brewin, Old Man Mose e Gone Fishin´, além de músicas de Djavan, Gilberto Gil e Ivan Lins. Na banda de apoio, está um percussionista de São Paulo, Magno Bellini (codinome Magnobis). O cantor e fundador do grupo concedeu entrevista na semana passada. Agência Estado - O Manhattan Transfer começou como um quarteto hippie, em 1969. O que permaneceu daquele ideário em seu grupo, dos tempos de paz & amor para este, do medo da guerra? Tim Hauser - Não acredito que nada tenha mudado minha relação com a música desde que comecei a carreira. As mudanças do mundo só reforçaram minha visão. A natureza humana é a mesma e, por vezes, as forças negativas são mais fortes. Acho que é mais importante sabermos o que somos como indivíduos, não importando quão difíceis sejam os tempos. Vocês gravaram, em 1987, o disco Brasil, que combinava jazz vocal com bossa nova. Como anda sua relação com a música brasileira? Não acho, nem eu nem meus parceiros, que alguma vez tenhamos perdido o interesse na música do Brasil. Minha última aquisição foi um disco chamado Café Brasil, um tipo de Buena Vista Social Club. É fantástico. Mas, no momento, não temos planos de fazer outro álbum de música brasileira. Estamos com planos de fazer um Vocalese 2, e também um projeto latino, talvez em parceria com Eddie Palmeri. Ken Burns, na sua premiada série Jazz, diz que Louis Armstrong é o mais importante artista do jazz. Você concorda com ele? Louis Armstrong é a mais importante figura na história do jazz, porque ele está na sua fundação. Os conceitos de seus solos, perpassando o framework de suas seções rítmicas, deram o substrato de tudo que surgiu depois. Miles Davis definiu com perfeição, ao dizer: "Tudo leva de volta a Louis." O Brasil tem uma grande tradição em grupos vocais, do Bando da Lua de Carmen Miranda ao Quarteto em Cy. Você conhece algum deles? Primeiro de tudo, todo mundo com mais de 45 na América conhece o trabalho de Carmen Miranda. E, sim, ela foi minha introdução à música do Brasil. Mais, substancialmente, eu credito grande influência às minhas fitas de Os Cariocas. É lindo. Como será seu show no Brasil? Nós pensamos inicialmente em focar no nosso disco brasileiro, mas então concluímos que os brasileiros talvez preferissem uma mistura de tudo que fizemos ao longo da carreira. Vamos tocar nossos álbuns Vocalese e Brasil, e centrar especificamente nos discos mais recentes, Swing e Spirit of St. Louis. Espero que tenhamos feito as escolhas certas. Ouvi dizer que São Paulo tem alguns dos melhores restaurantes italianos e japoneses do mundo. Espero chegar com bastante apetite. |